No vídeo de hoje da nossa série diária, resgatamos uma discussão sobre um conceito muito antigo na tradição indiana: os Gunas. Embora os textos clássicos tratem Tamas, Rajas e Sattva como qualidades fundamentais da matéria e da mente, aqui na YogIN Academy nós filtramos essas ideias através das lentes da neurociência e da fisiologia, deixando qualquer misticismo de lado.
Na explicação clássica abordada no vídeo, Tamas representa a inércia e a estagnação; Rajas é o dinamismo, a agitação e o frenesi; enquanto Sattva é a harmonia conquistada pelo equilíbrio proporcional entre os dois primeiros. Mas o que isso significa na prática, quando olhamos estritamente para o funcionamento do nosso corpo?

Traduzindo a tradição para o sistema nervoso
Podemos entender esses três estados como diferentes níveis de ativação do nosso sistema nervoso autônomo. O estado de inércia e densidade (Tamas) pode ser comparado a um estado de hipoativação. É quando o sistema parassimpático atua de forma a gerar letargia, falta de motivação e uma sensação de peso físico e mental. É o famoso "travar" diante do estresse ou a simples exaustão metabólica.
Por outro lado, a agitação e o frenesi (Rajas) refletem um estado de hiperativação. Aqui, o sistema nervoso simpático está no comando, inundando o corpo com adrenalina e cortisol. Embora seja um mecanismo evolutivo útil para nos colocar em movimento ou fugir de um perigo, o excesso crônico desse estado gera ansiedade, falta de foco, inflamação e desgaste severo.
A tão buscada harmonia (Sattva) nada mais é do que a homeostase. É o estado de regulação autonômica ideal, onde há energia suficiente para agir com clareza, mas também calma suficiente para não se desesperar. Na neurociência, podemos associar isso à ativação do complexo vagal ventral, que promove engajamento focado, presença e bem-estar físico.
Como modular o seu estado hoje
Para guiar sua rotina rumo a esse equilíbrio fisiológico, você não precisa de crenças dogmáticas, mas sim de ferramentas práticas baseadas no corpo. A forma como você respira, como se move e como gerencia seus estímulos dita qual "estado" vai predominar no seu dia, construindo a base da consciência corporal que sempre defendemos por aqui.
A orientação prática de hoje é fazer uma leitura do seu estado atual e aplicar o estímulo biológico adequado. Se você acordou com inércia e letargia, experimente uma respiração mais acelerada e movimentos articulares dinâmicos para estimular o sistema simpático na medida certa. Já se você está no meio de um dia frenético e ansioso, pause por três minutos e faça uma respiração lenta e profunda, prolongando o tempo da expiração. Isso sinaliza segurança ao cérebro, reduz os batimentos cardíacos e ajuda o corpo a resgatar a sua homeostase natural.
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