Para alguns neurocientistas, o equilíbrio é considerado mais um sentido humano. Não é exagero: manter o corpo em pé, estável e orientado no espaço é uma das tarefas mais complexas que o sistema nervoso executa o tempo todo, sem que você perceba. Uma parte importante da capacidade de processamento do cérebro é usada apenas para que você não caia.
Para isso, o cérebro integra o tempo inteiro as informações do ouvido interno (o sistema vestibular), da visão e dos receptores espalhados pelos músculos, tendões e articulações, que informam onde cada parte do corpo está. A partir dessa leitura, ele ajusta a contração de dezenas de músculos, milímetro a milímetro.
Equilíbrio é fortalecimento
As posturas de equilíbrio são uma excelente forma de treinar fortalecimento muscular. Toda vez que você tira uma perna do chão, ou se coloca numa posição que não é natural para o corpo, o sistema nervoso precisa fazer uma grande quantidade de processamento e de adaptação muscular para resistir ao desequilíbrio e não deixar você cair.
Esse esforço contínuo de correção recruta a musculatura do pé, do tornozelo, das pernas, do quadril e do tronco ao mesmo tempo. Por isso o equilíbrio funciona, na prática, como um processo de fortalecimento: o corpo fica mais forte justamente porque precisa trabalhar para se manter estável.
Um ponto único de atenção
Dentro da prática do Yoga, quando treinamos equilíbrio, treinamos também o foco em um ponto único. Se a atenção se dispersa, o corpo balança. Se você volta a atenção para o ponto, o corpo se estabiliza. Esse retorno imediato transforma cada postura de equilíbrio num treino de atenção: você aprende, de forma concreta, a sustentar o foco e a trazê-lo de volta quando ele escapa.
Quedas, imobilidade e demência
Talvez o motivo mais importante para treinar equilíbrio esteja no longo prazo. As quedas estão entre os eventos que mais aceleram a perda de autonomia e o declínio cognitivo em pessoas idosas. Uma queda numa determinada idade pode quebrar o quadril ou outra parte do corpo e obrigar a pessoa a passar um longo período, às vezes o resto da vida, imobilizada numa cadeira de rodas ou numa cama.
Com a imobilidade vêm menos movimento, menos estímulo, menos convívio social, e esse conjunto é um dos caminhos mais conhecidos para a demência. O cérebro que deixa de ser desafiado perde capacidade.
Começar a treinar o equilíbrio hoje pode evitar uma queda no futuro. Evitar a queda é proteger a mobilidade, e proteger a mobilidade é preservar a sua capacidade cognitiva.
Por que essas posturas são tão importantes
É por isso que as posturas de equilíbrio têm um lugar tão especial na prática do Yoga com Neurociência. Elas trabalham três coisas ao mesmo tempo:
- O foco atencional, porque exigem sustentar a atenção em um ponto único;
- O fortalecimento da musculatura, porque obrigam o corpo a corrigir o desequilíbrio o tempo todo;
- A prevenção de quedas, porque treinam o sistema nervoso a reagir rápido quando o corpo perde a estabilidade.
Na imagem que abre este post você vê uma das posturas de equilíbrio do Yoga sendo feita exatamente para esse tipo de treinamento: apoio em uma perna só, tronco inclinado à frente e a outra perna estendida no alto. Uma posição nada natural para o corpo, e por isso mesmo um estímulo poderoso para o cérebro.
Se você quer entender em mais detalhe o que acontece no cérebro durante essas posturas, leia também: Como as posturas de equilíbrio do Yoga ajudam o cérebro.
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