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Mark Rothko e a arte abstrata: por que um quadrado pode ser uma obra-prima

Arte | 25 jun 2026 | Daniel De Nardi


Mark Rothko é considerado um dos maiores nomes da arte abstrata de toda a história. Mas, antes de olhar para a obra dele e entender por que aqueles retângulos de cor valem tanto, vale a pena dar um passo atrás e entender de onde veio a arte abstrata. E essa história começa lá na virada do século XIX para o XX.

Para entender a arte abstrata, é preciso voltar aos impressionistas

Estamos falando do final de 1890 e início de 1900. Nesse momento, a fotografia começa a ficar cada vez mais desenvolvida. E, à medida que a máquina fotográfica evoluía, os artistas olhavam para si mesmos e se perguntavam: “Bom, se a imagem das coisas já está sendo registrada por uma máquina, o que mais a gente tem para fazer?”

A partir daí, eles começaram a criar imagens que uma câmera não conseguia captar. Coisas como a influência da luz sobre as coisas — que não fica exatamente igual numa fotografia. A realidade tem muitas nuances que uma imagem fotográfica não consegue expressar do jeito que elas verdadeiramente são.

Foi assim que eles começaram a pintar aqueles quadros aparentemente um pouco distorcidos: para representar a força e a importância da luz nas imagens e, ao mesmo tempo, criar mais dramaticidade — em vez de deixar tudo estático e realista como uma fotografia. Nascia o impressionismo, um passo novo na arte. A partir dali, a arte não precisava mais expressar exatamente aquilo que estava sendo fotografado: ela podia trazer algo a mais — o sentimento, a expressão do próprio artista.

Anos 1950: a força do movimento abstrato

Isso foi evoluindo com o tempo. E foi mais ou menos na década de 1950 que o movimento abstrato ganhou força de verdade. Nesse momento, temos Kandinsky levando esse movimento adiante na Rússia, Jackson Pollock fazendo o mesmo nos Estados Unidos, dentro do expressionismo, e Mark Rothko trabalhando também nos Estados Unidos, ao lado de Pollock.

Pollock x Rothko: dois caminhos para a mesma emoção

A diferença entre os dois é importante. Pollock expressava na tela todo aquele sentimento que a arte vinha trazendo desde os impressionistas: ele jogava a tinta, criava gotejamentos, derramava as suas emoções diretamente sobre a obra.

Já Rothko pintava simplesmente formas retangulares. Ele pintava quadrados. E aí vem a pergunta inevitável: o que um quadrado tem a dizer? Por que isso pode ser considerado arte?

A grande sacada de Rothko

A genialidade de Rothko foi perceber uma coisa: independentemente da imagem que você está vendo, quem cria o sentido é a pessoa que observa. Então o que ele fez foi colocar diante de você uma imagem que libertasse o espectador — para que cada um sentisse e interpretasse aquilo do jeito que quisesse.

Não era a expressão do artista, como acontecia em Pollock, que gotejava a tinta com raiva, com ódio, com a sua própria emoção. Rothko tentava justamente deixar a coisa simples, para que você olhasse aquela simplicidade e tivesse as suas próprias percepções e os seus próprios sentimentos.

Ele inaugurou um tipo de arte construída junto com o espectador. E foi exatamente isso que fez dele um dos artistas mais valiosos do mundo.

Então, se você ainda não conhece, vale muito a pena dar uma olhada nas obras de Mark Rothko e entender um pouquinho mais sobre o que é — de verdade — a arte abstrata.


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