Uma das primeiras dúvidas que aparece quando alguém pensa em começar yoga é sempre a mesma: “mas eu não sou flexível, não vou conseguir”. A pessoa imagina que precisa chegar já dobrando o corpo, encostando a mão no chão sem esforço, e conclui que aquilo não é para ela. É um mal-entendido que fecha a porta para muita gente que se beneficiaria justamente por não ter essa flexibilidade toda. Você não precisa ser flexível para praticar. E também não precisa ser para ensinar.
Dois eixos de benefício que não dependem de flexibilidade
O yoga age em duas frentes principais, e nenhuma delas exige que você já chegue elástico. A primeira é a regulação do sistema nervoso. A prática ajuda o corpo a sair do estado de luta ou fuga, aquele modo de alerta em que o coração acelera e a musculatura tensiona, e a entrar num estado de descanso. Isso é fisiologia, dá para medir na frequência cardíaca e na pressão, e funciona igual em quem toca os pés na cabeça e em quem mal alcança os joelhos.
A segunda frente é a longevidade. Aqui entram três coisas que se desenvolvem com a prática: fortalecimento, flexibilidade e equilíbrio. Repare que a flexibilidade é um resultado do processo, não um pré-requisito para entrar. Você chega com o corpo que tem e vai ganhando amplitude aos poucos. E o equilíbrio e a força, em especial, têm um papel enorme na prevenção de quedas em pessoas mais velhas, que é um dos fatores que mais tiram autonomia na terceira idade.
Por que a abordagem baseada em evidência atrai o público clínico

Tem um grupo de pessoas que costuma ter o maior pé atrás com yoga e que, ao mesmo tempo, é um dos que mais tem a ganhar: quem convive com dor crônica. Casos de fibromialgia e de artrites, por exemplo, respondem bem a uma prática bem conduzida. E é curioso que seja exatamente esse público, muitas vezes cético, que se aproxima quando a proposta é apresentada pelo lado da evidência, sem o pacote esotérico em volta. Falar de mecanismo em vez de energia é o que faz essas pessoas baixarem a guarda e experimentarem.
Não é à toa que o yoga é reconhecido como prática integrativa dentro do SUS. E ele não compete com outros tratamentos, ele soma. Trabalhos como massoterapia e terapias integrativas também levam o corpo para o parassimpático, aquele estado de descanso e recuperação. Muita gente que faz a formação enxerga nela um jeito de tornar o próprio trabalho mais ameno e mais duradouro com o passar da idade, agregando uma ferramenta a mais ao que já oferece.
Crianças, adolescentes e uma habilidade que ninguém ensina
Existe um campo enorme e pouco explorado: crianças e adolescentes. Uma observação simples resume o problema. As crianças não respiram mais direito. Passam o dia em tensão, respirando curto, sem nunca terem aprendido a fazer diferente. E aqui a prática tem um potencial concreto em rendimento escolar e em preparação para provas, incluindo o período de vestibular. Respirar e concentrar são conhecimentos básicos que fazem diferença no desempenho, e que nem a maioria dos adultos domina. Ensinar isso cedo é entregar uma ferramenta que a pessoa usa pela vida inteira.
Do tapete para o esporte
Essa transferência de benefício vale também para quem se mexe muito. Eu e o meu irmão surfávamos, e sentimos na pele o yoga mudar a nossa percepção corporal, a forma de saber onde cada parte do corpo está e como ela se move. Isso melhora o desempenho em qualquer esporte, inclusive na alta performance. Não falo de fora: fui atleta amador e completei dois Ironmans no ano 2000, então sei o que uma consciência corporal mais afinada faz por quem treina pesado.
O ponto é que yoga não é um clube fechado para gente que já nasceu flexível. É uma ferramenta de saúde, de longevidade e de reabilitação que serve a qualquer corpo e a qualquer idade. O corpo rígido, o corpo com dor, o corpo da criança, o corpo do atleta e o corpo que está envelhecendo, todos entram e todos ganham algo específico.
Se você quer sentir isso por conta própria, sem precisar ser flexível para nada, comece pela respiração, que é a base de tudo. A aula gratuita “O Poder da Respiração” é a degustação da Formação de Yoga com Neurociência e mostra, na teoria e na prática, como a prática regula o corpo desde o primeiro dia. Você agenda pelo WhatsApp em hotm.io/T2f1GaSk.